Tempo na Realização Subjetiva
- Natalia Martínez Stoessel
- 13 de abr. de 2021
- 2 min de leitura

Lacan no Seminário I coloca esta questão: Quais são as funções do tempo na realização do sujeito humano? Pois bem, tomo a palavra tempo como aquela que nos coloca numa línea temporal da existência humana. Querendo ou não, somos sujeitos temporais, vivemos numa determinada época, num determinado momento histórico, num contexto que a linguagem se caracteriza por diversas questões, sejam culturais ou de outra índole. Partindo daqui, o que o tempo tem a ver com a constituição do ser humano? Sabemos que somos sujeitos do Inconsciente, porém somos sujeitos que experimentam, vivenciam o Inconsciente numa realidade que é regida pelo princípio de realidade, além do princípio de prazer, claro!. E com isto quero dizer que somos seres mortais, de alguma forma ou outra lutamos contra isto, mas no fundo da coisa sabemos que algum dia já não estaremos mais neste mundo material. O tempo limitado de vida é o que faz de nós, humanos, saber que não tudo é possível, não somos eternos, não vamos viver para sempre neste Universo. Não poder fazer tudo ou ter tudo ou ser tudo é o que a castração nos coloca desde que entramos no mundo simbólico, na lei simbólica. Ernest Becker no seu livro A Negação da Morte afirma que: “Todo mundo goza de uma dose prática de narcisismo básico, muito embora não seja o do leão. A criança que é bem alimentada e amada desenvolve, como dissemos, um sentido de onipotência mágica, de indestrutibilidade, de poder comprovado e de apoio seguro. Ela pode imaginar-se, lá no fundo, eterna”. Em vista disso, acreditamos ser imortais, mas sabemos que somos descartáveis. O tempo pode ser nosso melhor inimigo, mas também pode ser nosso melhor amigo. Ser mortal nos condiciona e a partir disto construímos nossa história, história contada em palavras e vivida no corpo, um corpo Real, entrelaçado com nossos fantasmas, desejos e letras.
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